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27/01/2012 - ENSINAR E APRENDER - UMA VIAGEM DE EMOÇÃO E PRAZER |
Estamos começando mais um ano. Na intenção de estreitar nossa parceria na tarefa de educar seus filhos firmo o compromisso de enviar-lhes mensalmente uma reflexão sobre este processo, na busca de revigorar intenções e ações.
Este mês foquei o vínculo afetivo como facilitador da aprendizagem.
Boa leitura!
Abraço,
Regina Pundek
Diretora Pedagógica
[LINHA]
Ensinar e aprender – uma viagem de emoção e prazer
O ano escolar está iniciando. Boa época para abrirmos espaço para a reflexão sobre a ação educativa estabelecida na relação professor-aluno. Tanto o ensinar quanto o aprender visualiza a importância deste vínculo, assim garantindo um crescimento mútuo, tanto de um como do outro. É preciso que haja uma ação pedagógica transformadora que favoreça todos os prismas das relações, deixando o professor de ser a medida de todas as coisas.
O espaço sistematizado dito, escola, vem ao longo de sua história priorizando a dimensão cognitiva em detrimento a um lugar para a instância afetiva. Esse posicionamento contribui para que os fenômenos de ensinar e aprender continuem a ser percebidos como processos meramente racionais, em que o educador repete informações que devem ser acumuladas e memorizadas pelo educando. Revisar e refletir sobre as práticas pedagógicas, com o objetivo de superar um posicionamento conservador e alienante, leva o educador e, conseqüentemente a escola, a assumir um papel diferenciado. Descobrir um espaço nos processos de ensinar e aprender que considere a importância do aspecto afetivo faz do educador um ser transformador e desencadeador de tônicas vitais, que formam um conjunto de elementos energético-estruturais responsáveis por mobilizar a aprendizagem. Esse diferencial é garantia de um crescimento mútuo do educador e do educando.
O educador, enquanto profissional atento ao seu contexto, é um construtor da história, portanto, sua ação não poderá em momento algum ser entendida e praticada como um fazer neutro. Na verdade, o educador atento possibilita ao processo ensino-aprendizagem o movimento de ir e vir, em que educador e educando tornam-se aprendentes e ensinantes.
É importante esclarecer que a relação professor-aluno-família é uma via afetiva que possibilita, concomitantemente, a relação aluno-conhecimento, tendo como cenário, a casa e a escola. O fundamental é que escola, família e crianças saibam que a postura deles é dialógica, aberta, curiosa, indagadora e não apassivada, enquanto fala ou enquanto ouve. O que importa é que professor e alunos assumam e persigam a curiosidade.
Em havendo uma ligação afetiva saudável a criança mobiliza o mínimo de suas defesas e lida com seus medos e ansiedades, eliminando os obstáculos para a aquisição de conhecimento e aprisionamento da sua inteligência.
A educação para um mundo em constante transformação solicita o fortalecimento do indivíduo interiormente e a necessidade de privilegiar o desenvolvimento da intuição e da criatividade.
Partindo-se desta premissa, do estabelecimento real de um vínculo afetivo, cabe ao educador levantar os focos de interesse do grupo e mergulhar com eles no encantamento das descobertas que se seguirão com a aprendizagem. Assim sendo, estes indivíduos poderão transformar-se em ensinante e aprendente, e estará feita a ponte para que haja a construção do conhecimento através de qualquer que seja a prática pedagógica aplicada.
Ouso crer que cada vez mais pessoas estão buscando realizar a compreensão e o respeito pelo ser humano de maneira global, passando por todas as questões culturais, sociais e espirituais. A sociedade está pedindo novos homens e mulheres!
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01/11/2011 - TIRAR O AR DA TUBULAÇÃO |
Tirar o ar da tubulação
É comum ouvirmos dizer que ocorre falta d’água numa casa porque entrou ar na tubulação. Podemos fazer uma associação com as questões neurológicas. Falta entendimento numa pessoa porque as sinapses não aconteceram em tempo hábil. Assim sendo, aquela pessoa não realizou as conexões necessárias para desenvolver certas áreas do cérebro e por este motivo não consegue compreender questões que a outrem possam parecer simples. Conversar com pessoas que não receberam estímulos cognitivos, adequados e suficientes na infância, é muitas vezes complicado. Até mesmo a linguagem precisa ser avaliada para que haja um mínimo de compreensão. Não podemos considerar que a pessoa esteja com má vontade, que seja teimosa ou mesmo ignorante, o fato é que ela simplesmente não desenvolveu a competência, por isso é impossível compreender o que lhe é dito. Cabe ao interlocutor avaliar em que degrau foi interrompido o seu crescimento e então tentar lhe oferecer desafios cognitivos que desestruturem questões mais simples para ir pouco a pouco fazendo com que o indivíduo aprenda. Tem-se que ter muita paciência.
Esta mesma paciência é o antídoto necessário para quebrar a birra e a manha das crianças em situações semelhantes. Quando uma criança não consegue realizar determinada proposta é comum que se irrite e tire os pais do sério. Por exemplo, uma criança que deseja colocar as pilhas em determinado brinquedo. Embora ela tenha visto por tantas vezes os pais fazendo a tarefa, em certa idade sua coordenação motora ainda não lhe permite alguns movimentos. A frustração de não conseguir realizar algo, aparentemente simples, produz um desequilíbrio emocional tal que ela se põe a espernear e gritar, como se este comportamento pudesse resolver o problema. Ledo engano. Aqui a percepção dos pais aliada à paciência poderá sim, reverter a situação e facilitar a aprendizagem tanto motora, como cognitiva e emocional.
A primeira ação deve ser focada no restabelecimento do equilíbrio emocional. Um bom abraço e palavras firmes ajudarão. Diga: “Sei que é difícil, mas vamos ter calma. Vou te ensinar.” Então passo a passo oriente a criança o que ela deve fazer, mostrando-lhe você mesmo. Depois desfaça e peça que ela faça, enquanto você verbaliza novamente cada etapa do processo. Desta maneira, você garante ao seu filho a realização de conexões neurológicas que facilitarão seu futuro.
Todo ser humano ao nascer possui 100 milhões de células nervosas as quais criarão trilhões de conexões com um novo e crescente emaranhado de células nervosas do corpo formando assim as sinapses que controlam todo o movimento, sentimentos, inteligência e sensibilidade. Quando a criança nasce, os neurônios apresentam um pequeno número de conexões pelo corpo, são as responsáveis pelo batimento cardíaco, movimentos reflexos, respiração, etc. Estas conexões apresentam seu auge de formação até os 10 anos aproximadamente.
Algumas orientações básicas quanto à forma de se relacionar com os próprios filhos são ações ativadoras de ligações cerebrais. A saber: conversar, olhar nos olhos, ouvir músicas, contar histórias ajudá-la a resolver pequenos problemas, estimular seu controle e expressão corporal, etc... Por isso, famílias, se não somente para obter momentos tranqüilos, que seja para desenvolver sujeitos competentes, o momento exige atitude!
Regina Pundek
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12/08/2011 - TEXTO INTERESSANTE |
Meu filho, você não merece nada!
A crença de que a felicidade é um direito tem tornado despreparada a geração mais preparada.
ELIANE BRUM
Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo).
E-mail:elianebrum@uol.com.br
Twitter: @brumelianebrum
[LINHA]
Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.
Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.
Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste.
Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes.
Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.
É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?
Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.
Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.
Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.
A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”? É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da confusão.
Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.
Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar. E não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa.
Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.
Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando.
O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.
Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande.
Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.
Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência.
Crescer é compreender que o fato de a vida ser falta não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba.
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27/05/2011 - ENTRE TAPAS E BEIJOS - É PRECISO EDUCAR |
Hoje meu texto está focando as dificuldades que a família vive até que seu filho se insira adequadamente no grupo social escola, compreendendo as regras e administrando frustrações. É para que reflitam.
Abraço,
Entre tapas e beijos – é preciso educar!
Corresponder às expectativas das famílias durante a Educação Infantil é um detalhe complicado para todas as escolas. Elas desejam que seus filhos aprendam rapidamente questões cognitivas, sociais e até emocionais. Para se compreender a dificuldade vivida pelos educadores é necessário conhecer as especificidades do ser humano criança, que chega ao planeta completamente egocêntrico, não necessariamente egoísta. Até seus três anos de idade a criança vive esta fase, conhecida como fase do teimoso, que é caracterizada pela não compreensão de sua inclusão na sociedade, imaginando que o mundo gire inteirinho ao seu redor. Somado a isto a grande maioria das famílias confunde o papel de pai e mãe com o de amigos de seu filho, permite que faça tudo o que quer, presenteia, mima e bajula, acreditando que isto é bom para o pequeno. Na medida em que a criança adquire linguagem verbal surgem as surpresas, pois ela começa a exigir e a mandar nos pais, que então se exasperam sem saber como aquele anjinho transformou-se num ditador. Desta forma a criança vai crescendo sem conhecer regras e autoridade, o que muito a prejudica quando inicia sua vida social, melhor dizendo, escolar.
Ao chegar à escola, considerando as colocações acima, características próprias da idade e as experiências até então vividas, a criança não sabe como agir socialmente. A necessidade de encarar desafios como o dividir, o compartilhar, o não ser exclusivo, o esperar a vez, o não poder fazer tudo o que deseja, etc, faz surgir frustrações, as quais eles não estão acostumados a viver. Assim surgem reações que aos olhos dos adultos parecem agressivas (o empurrão, o arranhão, o mostrar a língua, e até a mordida), mas que para o educador, atendo e cuidadoso, são momentos preciosos através dos quais ele pode atuar e significativamente ensinar. E estas mesmas situações também frustram os pais, que não estão acostumados a ver seus filhos “sofrendo” nesta nova condição de “membro de um grupo” e que tanto desejariam poder mantê-los numa redoma de vidro, protegidos dos perigos e desafios da sociedade. Do ponto de vista emocional, considera-se que o amadurecimento está estritamente ligado ao reconhecimento e administração de frustrações; quem não vive frustrações tem menos chances de amadurecer e de desenvolver comportamentos adequados.
É um trabalho de formiguinhas porque os resultados dependem de paciência e demoram a aparecer. Quando a família e a escola estreitam a parceria e se aproximam num diálogo aberto e focado no desenvolvimento da criança, o trabalho surte efeitos mais rapidamente.
Regina Pundek |
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26/04/2011 - ALMOÇOS EM FAMÍLIA |
Almoços de Família
17 de abril de 2011. Hoje é Domingo. O sol está gostoso lá fora; tenho um convite para um almoço de família. Hoje é também o dia em que reservei um tempo pra escrever meus textos; sempre começo lendo algo bom pra "pegar" a energia. Então li um texto do Thomas Hahn, que me envolveu muito, chama-se “Pequeninos”. Logo, como a Páscoa acabou de passar e o Dia das Mães está chegando, como o AMOR está no ar, resolvi pegar o gancho e falar deste tema tão profundo e tão simples.
O tal almoço vai acontecer na casa dos sogros da minha filha. Então é um almoço de "Família Extendida", pois é um encontro com a família dos outros avós, bisavós e tios avós do nosso neto. Será um almoço de Páscoa adiantado pra reunir todo mundo, porque na data a idéia é que cada família faça o seu próprio programa. Seremos 22 pessoas, cada uma com sua história, com sua idade, suas vontades, mas mesmo assim estarão todos reunidos em respeito aos bisavós presentes.
No sábado passado, eu estava saindo de uma aula da minha pós-graduação, quando recebi um convite inegável. Fui convidada para um almoço de aniversário do pai de uma amiga, que completou 73 anos. Lá estavam: o aniversariante, sua ex-esposa, seus três filhos, nora e quatro netos. Era um dia lindo. Comemos um strogonoff à beira da piscina e rimos a valer, porque família de italianos é muito alegre e barulhenta. Saí de lá como quem bebeu na fonte do encantamento, tentando memorizar tantas e tantas situações e falas. Este foi um almoço de "Família Emprestada".
Nos dois encontros o que mais me chama a atenção são os mais velhos, aqueles que já criaram seus filhos, que já os soltaram para o mundo, mas que mesmo assim estão ali, dando exemplo; são nossos eternos modelos assim como um dia no futuro nós seremos em outros almoços de família. Estes velhos que um dia sonharam os mesmos sonhos que nós um dia sonhamos na juventude e que de repente renascem como avós e depois como bisavós e precisam continuar fortes e saudáveis porque acreditam que são eles quem, de fato, sabem como tocar a família. E tudo isto vai também acontecer a cada um de nós. Tomara!
Existem muitos tipos de família: temos a família onde nascemos, depois a família que "produzimos", daí a família do marido que se torna também nossa, depois temos a família dos maridos e esposas de nossos filhos, a família dos nossos amigos, a família dos pais dos nossos amigos... famílias e famílias que podemos abraçar se assim o desejarmos.
As famílias podem crescer ou encolher. Cabe a nós cuidarmos do que queremos pra nossa. Elas existem porque nasce um bebê, uma MÃE e um PAI, onde antes havia somente um casal. Mas o que vem na seqüência ao nascimento do bebê certamente não estava nos planos ou na expectativa do casal. Surgem de repente tias, tios, avós e bisavós; presentes ou ausentes, freqüentes ou esporádicos, insistentes ou desligados. Tudo começa com o nascimento de um pequenino e a "Grande Família" começa a sua história.
Ter certeza de que seremos velhos respeitados na ponta de uma mesa cheia de genros, noras, netos e amigos é um sonho bom de se sonhar, uma luta boa para se lutar. E, tudo é um ciclo. Amanhã serão nossos filhos na ponta da mesa, e depois nossos netos.
As reuniões de famílias são dignas de serem filmadas, dariam bom material para pesquisas sobre o relacionamento humano e posterior produção de filmes. Elas têm cenas pitorescas e comuns, que nos provocam risos e emoções.
Seja lá como e onde forem, como são bons os almoços de família!
Como é bom família! |
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25/03/2011 - A AGENDA DE NOSSOS FILHOS |
Olá famílias,
Minha proposta de reflexão para este mês está focada nas "agendas" de nossos filhos, mais precisamente no tempo livre que eles precisam ter para o brincar.
Boa leitura e uma excelente prática!
Abraço,
Regina Pundek
Diretora Pedagógica
[LINHA]
A agenda de nossos filhos
Estímulos excessivos inibem criatividade e impedem a autonomia
Cada vez mais a agenda das crianças é lotada de compromissos que vão da escola regular à natação, balé, judô, capoeira, inglês e até mesmo aulas particulares com especialistas para fazerem a lição de casa. Deslocando o questionamento deste fato, sem minimizar sua importância dentro da vida de um indivíduo adulto, hoje vou focar na rotina de uma criança específica, cuja infância é objeto de discussão nas mesas de debate dos educadores da atualidade.
Faz-se mister que se olhe para a criança como um ser completo e não porvir. A criança é criança! E precisa ser tratada em toda a sua especificidade, respeitada em todos os contextos, estimulada dentro dos parâmetros de cada fase que passa.
Jornais têm mostrado que muitas escolas usam o horário do recreio para atividades dirigidas impedindo que seus alunos tenham tempo para a livre convivência com o outro e para o brincar mais solto e verdadeiro. Isto preocupa imensamente, pois daí advêm problemas como, por exemplo, o bullying - é um termo em inglês utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo (bully= valentão) ou grupo de indivíduos com o objetivo de intimidar ou agredir outro indivíduo incapaz de se defender.
A criança precisa de tempo livre para brincar. O tempo livre permite que ela desenvolva sua criatividade e autonomia. Em geral, neste tempo livre elas vivem o Faz de Contas, que é um momento muito rico, pois permite que representem situações vividas e então reelaborem seus sentimentos e desejos, reinterpretando o papel do outro e compreendendo o que lhes acontece de maneira natural. Além disto, é principalmente nestes momentos que aprendem a conviver, a respeitar e a colocar suas idéias para o outro. A primeira necessidade da criança na escola é a aprendizagem das questões sociais; o ser humano nasce completamente egocêntrico e a família muitas vezes contribui para que esta característica se acentue, quando sabemos que é preciso que se alivie.
De nada vale aprender a nadar, dançar ou falar outra língua se a criança não sabe conviver. Conviver é esperar a vez, é ouvir, é falar no momento certo, é emprestar e pedir emprestado, é não mexer no que não é seu, é procurar o seu lugar e respeitar o lugar do outro, é aceitar que o outro é diferente e também merece atenção e carinho. E, para isto tudo não há aulas formais, mas momentos em que se facilitam e permitem a existência dos conflitos para que o educador atento possa conversar com os envolvidos sobre um problema real e ajudá-los a entrar num acordo que satisfaça a todos. É um trabalho de formiguinhas, porque terá que se repetir muitas e muitas vezes, durante os anos iniciais da criança até que ela entenda e incorpore, que saiba se posicionar, que ouça o amigo e que juntos consigam chegar a um consenso. Isto tudo que exige paciência, carinho e dedicação por parte dos educadores.
Encerro citando o historiador escocês, Carl Honoré, que afirma em seu livro Sob Pressão – Criança Nenhuma merece Superpais, que a forma mais rica de brincar é quando as crianças são livres para explorar o mundo, seguir sua imaginação, criar suas regras. Brincar é a atividade mais natural do mundo, elas não precisam de ajuda nem de interferência, precisam de tempo.
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17/02/2011 - A RESPOSTA É A EDUCAÇÃO |
Olá famílias,
Minha primeira proposta de reflexão deste ano está focada num fato realmente impactante para todos os brasileiros: as tragédias das enchentes.
Quisera crer que muito rapidamente conseguiremos resolver questões como esta, tanto do ponto-de-vista político como do social.
É preciso se envolver e agir!
Abraço,
Regina
[LINHA]
A resposta é a Educação
A tragédia das enchentes no Sudeste do Brasil
2011 chegou molhado pra nós do sudeste. Molhado, alagado, triste...
No dia 10 de janeiro levei meu filho ao aeroporto de Cumbica e, na volta, quase não cheguei a minha casa. A chuva despertou o Tietê, que acordou, saiu do leito, resolveu passear e invadir os bairros. Meu marido e eu vivemos na pele a expressão “andando feito barata tonta”. Os carros que conseguiam deixar o engarrafamento da Avenida Marginal tentavam encontrar saídas invisíveis. Iam e vinham, dando voltas e encontrando impedimento em ruas e ruas alagadas. Ficamos perdidos, assustados, ilhados por cinco longas horas. Quando enfim chegamos a nossa casa estávamos exaustos, mas inteiros. Dormimos o sono dos justos e nos dias seguintes constatamos que mais e mais as tempestades estavam invadindo casas, derrubando montanhas, muros e corações.
Diariamente, ao assistir os noticiários, os brasileiros se comovem com tudo o que vêem. São casas destruídas, famílias mortas, pessoas desesperadas. Cenas de resgate fazem-nos chorar perante a coragem, a força e a humanidade. Cenas de doações e de voluntários trabalhando para ajudar àqueles que não têm mais sequer um canto onde chorar, nos impelem a agir também.
Fico pensando nas crianças. Naquelas que estão lá, sofrendo as perdas e também naquelas que estão com suas famílias, no aconchego de seu lar. A televisão mostra crianças brincando na água da chuva, sem consciência dos fatos; mostra também bebês salvos sob o aplauso de uma comunidade explodindo de dor e lágrimas. Também vimos adultos sem esperança, preferindo morrer a viver esta situação pela segunda vez, pois em algumas localidades a tragédia está se repetindo. Em cada rosto há uma história e cada um vai, ou não, superar de uma forma diferente. Certamente os traumas vividos marcaram a vida destas pessoas, de adultos e de crianças.
O real significado da solidariedade incomoda neste momento. Queremos ajudar efetivamente. Precisamos educar aqueles que serão os adultos dos próximos anos. Dar significado a valores como ética e moral para que depois eles consigam colocar em prática.
Explicar para as crianças o que está acontecendo e envolvê-las no movimento de ajuda é uma forma de pensar no futuro. Não podemos fechar seus olhos e ouvidos, superproteger nossos filhos como se a vida fosse perfeita. Fazemos parte desta história e nossos filhos também.
A triste passividade das vítimas se declara em suas falas nas entrevistas. Conformados agradecem pela vida que lhes restou. E, a massa popular é mobilizada pela mídia. Enquanto os telejornais noticiam a tragédia, a população se emociona, faz doações e corresponde. Depois que o fato se desgasta e deixa de ser notícia, as pessoas esquecem. E, tudo retorna à rotina para os privilegiados enquanto outros continuam na luta pela reconstrução de suas casas e de suas vidas. O caso do Haiti é prova recente deste descaso social.
Quanta repressão nossa educação nos impôs que não sabemos lutar pelos nossos direitos, esquecemos prioridades e nos acomodamos tão facilmente! Esta educação que ensinou a calar, que castrou a criatividade e a iniciativa hoje faz a sociedade pagar caro pelos danos causados.
O Bem Comum tem que valer mais do que interesses individuais e financeiros. É esta a nossa luta. Educar é a resposta.
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25/09/2009 - A ABORDAGEM INOVADORA DO REGGIO EMILIA |
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Olá, Famílias!
Quero compartilhar com vocês minha ausência na escola durante as duas próximas semanas.
Vou a Reggio Emília!!! Terei a grande satisfação de realizar uma "pesquisa in loco" nas Escolas de abordagem reggiana.
Comprometo-me relatar-lhes minhas constatações.
Até a volta!
Bons finais de semana.
Regina Pundek
ah, minha proposta de Reflexão de hoje não poderia deixar de ser sobre as escolas de Reggio Emília.
E, para quem desejar conhecer um pouco mais, sugiro uma visita ao site ww.reggiochildren.it
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A abordagem inovadora do Reggio Emilia
Reggio Emília é uma cidade localizada no nordeste da Itália que tem 130 mil habitantes. Nos anos 50, quando o país tentava reconstruir o que fora arrasado pela guerra, Loris Malaguzzi idealizou uma abordagem de ensino inovadora, que atualmente é considerada a melhor dentro da Educação Infantil. Nela, não existem disciplinas convencionais e as atividades pedagógicas são feitas por meio de projetos elaborados pelas próprias crianças. Dessa forma, elas são estimuladas a desenvolver o senso tátil, criativo, estético, auditivo, visual, espacial, entre outros.
Crescendo em um ambiente favorável às inquietações do saber, os pequenos estudantes, ainda que não formalizem conceitos por meio de disciplinas fixas, buscam respostas que passam pela línguagem, Matemática, Geografia, Ética, História e outros temas. A abordagem evita impor às crianças um método de trabalho, fazendo com que elas construam espontaneamente o aprendizado.
Nunca é demais aplaudir o sucesso e a ousadia da comunidade Reggio Emilia, que, em meio aos escombros da Segunda Guerra, apenas seis anos após seu término, aproveitou os tijolos e os ferros das casas bombardeadas para construir uma escola para crianças, dando-nos o testemunho de que é possível transformar a realidade quando há ideal, determinação e compromisso.
Essa abordagem incentiva o desenvolvimento intelectual da criança por meio de um foco sistemático sobre a representação simbólica. Ela é encorajada a explorar seu ambiente, que é rico em possibilidades, e a expressar-se através de todas as suas “linguagens” — desenho, pintura, palavras, movimento, montagens, dramatizações, colagens, escultura, música —, o que a conduz a surpreendentes níveis de habilidades simbólicas e de criatividade.
A abordagem Reggio Emilia oferece muito material para reflexão. Evidentemente, não é possível importá-la tal qual se apresenta. Vivemos outra realidade, outra cultura. Entretanto, Reggio Emilia oferece uma ampla gama de possibilidades de estudos e de investigação. É preciso observar, discutir e aprofundar.
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18/09/2009 - LÓRIS MALAGUZZI |
Olá, Famílias!
Em janeiro de 2010, nossa escola completará 10 anos de fundação.
Com isto muitas reflexões, discussões, avaliações e idéias invadem nossas reuniões pedagógicas. Queremos manter-nos sempre "em formação" para aprofundar o conhecimento e aperfeiçoar a prática.
Pessoalmente, tenho feito a re-leitura de muitos autores que me inflamaram e motivaram na construção de nossa Proposta Político Pedagógica. Estou re-estudando a Abordagem de Reggio Emília, entre outras.
Volto no tempo, lá para os anos 80, e me encontro recém formada em engenharia civil, com 25 anos, mãe de duas crianças e cheia de dúvidas sobre a escolaridade de meus filhos, então com 2 e 1 ano de idade.
Insatisfeita com as escolas que encontrava, parei de trabalhar e decidi pesquisar profundamente para poder decidir o que queria que meus filhos aprendessem na escola. Mal sabia eu, que era o início de uma nova e apaixonante carreira, que no futuro eu cuidaria de outros filhos além dos meus.
Coincidência, ou não, a família de meu marido é da cidade de Reggio Emília, ao norte da Itália. Fato este que me fez cair às mãos um livro maravilhoso, chamado "I CENTO LINGUAGGI DEI BAMBINI". Naquela época ainda não havia a versão em português; foram dias e dias cobrando a paciência do Paolo para me traduzir o que me encantava a cada página.
Em 1991, a revista americana News Week publicou uma matéria apontando o sistema educacional infantil de Reggio Emilia como o mais admirável do mundo. Logo os livros foram traduzidos para o Português e tornou-se "moda" falar na "metodologia" de Reggio.
Hoje, minha proposta de leitura e reflexão é uma poesia, escrita por Lóris Malaguzzi que foi o pedagogo idealizador desta proposta ímpar. Desejo que usufruam.
Abraço,
Regina Pundek
[linha]
A criança é feita de cem.
Lóris Malaguzzi
A criança tem
Cem línguas,
Cem mãos,
Cem pensamentos,
Cem maneiras de pensar,
de brincar e de falar.
Cem sempre cem
Modos de escutar,
De transbordar de amor.
Cem alegrias,
Para cantar e compreender.
Cem mundos
Para descobrir,
Cem mundos
Para sonhar.
A criança tem cem línguas
( e sempre cem, cem, cem ... )
mas lhe roubam noventa e nove.
A escola e a cultura
Lhe separam a cabeça do corpo.
Lhe dizem:
Para pensar sem as mãos,
Para fazer sem a cabeça,
Para escutar e não falar,
Para compreender sem alegria,
Para amar e se encantar
Somente na Páscoa e no Natal.
Lhe dizem:
Para descobrir o mundo que já não existe.
E, de cem
lhe roubam noventa e nove.
Lhe dizem:
Que a brincadeira e o trabalho,
a realidade e a fantasia,
a ciência e a imaginação,
o céu e a terra,
a razão e o sonho,
são coisas
que não andam juntas.
Lhe dizem,
resumindo
Que o CEM não existe.
A criança diz:
Mas ... o cem existe !
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12/09/2009 - DESMATAMENTO |
Olá, Familias
Hoje o texto que lhes envio como proposta de reflexão tem caráter mais social. Tomei a liberdade de mudar o foco, saindo do universo educacional e psicológico, por considerar necessário um posicionamento de cada um de nós nestas questões ambientais.
Temos, inclusive, entre nós a mãe da Sofia Cooke, Patrícia, que está engajada no movimento e que pode encaminhar os interessados em participar das discussões.
Nossa Granja Viana foi notícia da Folha de SP esta semana. Precisamos tomar posse de nossos problemas.
Convoco a todos para esta leitura.
Abraço,
Regina Pundek
[linha]
Moradores tentam barrar Alphaville na Granja Viana
Conrado Corsalette
Da Folha de SP
Construção de condomínio na Grande SP já desmatou área de 200 mil m2.
Dona do empreendimento diz ter obtido licença do Estado para retirar mata atlântica; ONG ambiental vai à justiça para embargar obra.
O início da construção de um empreendimento Alphaville na Granja Viana, na divisa entre Cotia e Carapicuíba, municípios da Grande São Paulo, vem causando protestos dos moradores da região e deve acabar na Justiça por causa do desmate de uma área de 200 mil m2 para a demarcação de lotes.
O novo condomínio fica na avenida São Camilo, uma via estreita, de mão dupla, que começa na rodovia Raposo Tavares, na altura do km 22.
Cravado em meio à mata atlântica, o empreendimento possui área de 675 mil m2 e abrigará 304 lotes residenciais e 29 comerciais. Cada terreno, de 590 m2, foi vendido por aproximadamente R$ 200 mil.
O fato do local já registrar constantes engarrafamentos é uma das preocupações dos moradores, que terão de conviver com mais carros -cerca de 1.500 novos veículos a longo prazo, de acordo com técnicos ouvidos pela Folha.
O início da preparação dos lotes chamou a atenção dos moradores. Nas últimas semanas, quem passou pela altura do número 2.100 da avenida se deparou com uma pilha de árvores cortadas.
Apesar de a dona do empreendimento, a Alphaville Urbanismo, ter obtido com o Estado a licença para a retirada da vegetação, a ONG Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental pretende ingressar nesta semana com uma ação para embargar a obra e pedir a responsabilização das autoridades que permitiram o seu início.
Os cortes das árvores ocorreram em 30% de toda a área do novo condomínio. O desmate abrangeu um espaço equivalente a 19 campos de futebol.
O Presidente da ONG, Carlos Bocuhy diz que o empreendimento ameaça quatro espécies em extinção: as aves papagaio-verdadeiro, maracanã-pequena e jacu-guaçu e o sagui-de-tufo-preto. "O caso tipifica a ineficiência do poder público na concessão das licenças", diz.
Ele afirma que, antes das obras, seria preciso fazer um estudo de impacto ambiental mais aprofundado. "No meu entendimento, há indícios de favorecimento ao empreendedor", diz o presidente da ONG.
José Roberto Baraúna, que preside o Movimento Granja Viva, ONG de moradores da região, afirma que a infraestrutura local não comporta um condomínio do porte do Alphaville. "Não somos contra o desenvolvimento, mas era preciso consultar a população antes.”
A empresa diz que fará compensações ambientais e que a chegada dos moradores será gradativa. Ela prevê uma ocupação de 80% do condomínio em 20 ou 30 anos.
"É preciso tomar providências agora para que não façam com a Raposo Tavares o que fizeram com a Castello Branco", diz o engenheiro Luiz Célio Bottura, técnico em trânsito, referindo-se à Alphaville da região de Barueri.
OUTRO LADO
Empresa promete compensações ambientais
A Alphaville Urbanismo, responsável pelo novo condomínio na Granja Viana, diz que fará compensações ambientais de infraestrutura para que o empreendimento não tenha impactos negativos.
A empresa se beneficiou do fato de a área total do condomínio ser de 675 mil2, equivalente a 67,5 hectares. A lei estadual obriga à realização de estudos de impacto ambiental mais detalhados apenas para empreendimentos com áreas iguais ou superiores a 70 hectares.
A Alphaville diz ter feito "minucioso trabalho de levantamento ambiental". A empresa destaca que o local terá 56% de áreas verdes e baixa densidade.
A Secretaria de Estado do Meio Ambiente diz que as queixas das ONGs quanto ao desmate são descabidas, pois a obra dispõe de licenças.
A pasta diz estar analisando eventuais ameaças aos animais em extinção.
Na questão do trânsito, a empresa afirma que duplicará a avenida São Camilo em frente ao condomínio, um trecho de cerca de 750 metros. A Prefeitura de Carapicuíba diz que a duplicação é "adequada".
Ter, 08 de Setembro de 2009
Folha de SP
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28/08/2009 - ANTES QUE ELAS CRESÇAM |
Olá, Famillias!
Nesta sexta-feira desejo compartilhar com vocês este texto de Affonso Romano de Sant'Anna.
Ele é um poeta do nosso tempo, integrado em problemas e perplexidades atuais. Um dos mais legítimos representantes da literatura brasileira contemporânea.
O texto é simples e poético, vale para PAIS e AVÓS.
Vamos nessa?
Bom final de semana, com muitos abraços e beijos,
Regina Pundek
[linha]
Antes que elas cresçam
Affonso Romano de Sant'Anna
Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos próprios filhos.
É que as crianças crescem. Independentes de nós, como árvores, tagarelas e pássaros estabanados, elas crescem sem pedir licença. Crescem como a inflação, independente do governo e da vontade popular. Entre os estupros dos preços, os disparos dos discursos e o assalto das estações, elas crescem com uma estridência alegre e, às vezes, com alardeada arrogância.
Mas não crescem todos os dias, de igual maneira; crescem, de repente.
Um dia se assentam perto de você no terraço e dizem uma frase de tal maturidade que você sente que não pode mais trocar as fraldas daquela criatura.
Onde e como andou crescendo aquela danadinha que você não percebeu? Cadê aquele cheirinho de leite sobre a pele? Cadê a pazinha de brincar na areia, as festinhas de aniversário com palhaços, amiguinhos e o primeiro uniforme do maternal?
Ela está crescendo num ritual de obediência orgânica e desobediência civil. E você está agora ali, na porta da discoteca, esperando que ela não apenas cresça, mas apareça. Ali estão muitos pais, ao volante, esperando que saiam esfuziantes sobre patins, cabelos soltos sobre as ancas. Essas são as nossas filhas, em pleno cio, lindas potrancas.
Entre hambúrgueres e refrigerantes nas esquinas, lá estão elas, com o uniforme de sua geração: incômodas mochilas da moda nos ombros ou, então com a suéter amarrada na cintura. Está quente, a gente diz que vão estragar a suéter, mas não tem jeito, é o emblema da geração.
Pois ali estamos, depois do primeiro e do segundo casamento, com essa barba de jovem executivo ou intelectual em ascensão, as mães, às vezes, já com a primeira plástica e o casamento recomposto. Essas são as filhas que conseguimos gerar e amar, apesar dos golpes dos ventos, das colheitas, das notícias e da ditadura das horas. E elas crescem meio amestradas, vendo como redigimos nossas teses e nos doutoramos nos nossos erros.
Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos próprios filhos.
Longe já vai o momento em que o primeiro mênstruo foi recebido como um impacto de rosas vermelhas. Não mais as colheremos nas portas das discotecas e festas, quando surgiam entre gírias e canções. Passou o tempo do balé, da cultura francesa e inglesa. Saíram do banco de trás e passaram para o volante de suas próprias vidas. Só nos resta dizer “bonne route, bonne route”, como naquela canção francesa narrando a emoção do pai quando a filha oferece o primeiro jantar no apartamento dela.
Deveríamos ter ido mais vezes à cama delas ao anoitecer para ouvir sua alma respirando conversas e confidências entre os lençóis da infância, e os adolescentes cobertores daquele quarto cheio de colagens, posteres e agendas coloridas de pilô. Não, não as levamos suficientemente ao maldito “drive-in”, ao Tablado para ver “Pluft”, não lhes demos suficientes hambúrgueres e cocas, não lhes compramos todos os sorvetes e roupas merecidas.
Elas cresceram sem que esgotássemos nelas todo o nosso afeto.
No princípio subiam a serra ou iam à casa de praia entre embrulhos, comidas, engarrafamentos, natais, páscoas, piscinas e amiguinhas. Sim, havia as brigas dentro do carro, a disputa pela janela, os pedidos de sorvetes e sanduíches infantis. Depois chegou a idade em que subir para a casa de campo com os pais começou a ser um esforço, um sofrimento, pois era impossível deixar a turma aqui na praia e os primeiros namorados. Esse exílio dos pais, esse divórcio dos filhos, vai durar sete anos bíblicos. Agora é hora de os pais na montanha terem a solidão que queriam, mas, de repente, exalarem contagiosa saudade daquelas pestes.
O jeito é esperar. Qualquer hora podem nos dar netos. O neto é a hora do carinho ocioso e estocado, não exercido nos próprios filhos e que não pode morrer conosco. Por isso, os avós são tão desmesurados e distribuem tão incontrolável afeição. Os netos são a última oportunidade de reeditar o nosso afeto.
Por isso, é necessário fazer alguma coisa a mais, antes que elas cresçam
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24/07/2009 - BONECOS DE SUCATAS |
Olá, Famílias!
Durante o mês de julho nossas propostas de Reflexão foram Registros de momentos vividos aqui na escola com as nossas crianças. Então hoje, lá vai mais uma. Desta vez o texto foi escrito pela nossa Karina, professora do Orange Morning Group.
Foram momentos prazerosos e intensos! As crianças gostam muito de "trabalhar" quando existe um propósito real, ou seja, um produto final útil, como foi o caso destes bonecos decorativos.
Curtam seus filhos nestes últimos dias de férias,
muitos abraços,
beijos
e,
limites!
Regina Pundek
[linha]
BONECOS DE SUCATA
By Karina and Gláucia
Junho/2009
Aproveitando a comemoração da semana do Meio Ambiente e a expectativa de todos para a nossa festa junina, durante esse mês, decidimos produzir com as crianças o cenário para decorar nossa escola usando o material do cantinho da sucata. Assim, nos ateliers de Scrap, a cada semana, construímos os nossos bonecos de acordo com as sugestões de todos os participantes, que não pouparam a criatividade para essa produção. Dessa forma, embalagens de plástico viraram sapatos e calça; bandejas de isopor serviram para fazermos as mãos; pedaços velhos de tecidos tornaram-se lindas roupas e chapéus; rolos de papel, tampinhas de garrafa são os olhos e nariz. Quanta imaginação! Para concluir, recortamos pedaços de tecidos e figuras de revistas para enfeitarmos ainda mais os nossos bonecos. As crianças ficaram radiantes e orgulhosas com o resultado, conforme podemos perceber nas fotos. Adoramos!
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17/07/2009 - SAGUIS CURIOSOS |
Olá, Famílias!
Hoje o texto que lhes envio como proposta de Reflexão é o Registro de momentos de alegria e aprendizagem vividos aqui na escola.
É uma oportunidade de matar a saudade da escola durante as férias, então chamem as crianças, leiam para elas e mostrem-lhes as fotos que estão no site.
Saudades,
Regina Pundek
[linha]
SAGUIS CURIOSOS
HÁ MAIS OU MENOS UM MÊS ATRÁS COMEÇAMOS A OUVIR UM ASSOBIO VINDO DO TERRENO AO LADO DA ESCOLA. UM DIA, OBSERVANDO MELHOR, TIVEMOS A AGRADÁVEL SURPRESA DE VER SAGUIS NAS ÁRVORES. CORREMOS PARA PEGAR BANANAS E COLOCAMOS NO TELHADO DA CASINHA QUE TEM LÁ EMBAIXO, MAS ELES NEM CHEGARAM PERTO.
ALGUNS DIAS DEPOIS LÁ ESTAVAM ELES NOVAMENTE. COLOCAMOS AS BANANAS, DESTA VEZ SEM CASCA PARA QUE O CHEIRO FOSSE MAIS INTENSO. MUITO DESCONFIADOS, ELES FORAM SE APROXIMANDO, AS CRIANÇAS GRITAVAM DE EXCITAÇÃO E ESTAVAM EXTASIADAS COM OS NOVOS VISITANTES, ASSIM COMO TODA A EQUIPE.
DAQUELE DIA EM DIANTE, A VISITA À ESCOLA É QUASE QUE DIÁRIA E COM HORA MARCADA, LOGO APÓS O ALMOÇO DAS CRIANÇAS. EXIGENTES, GOSTAM MESMO É DE BANANA, RECUSANDO AS MAÇÃS E LARANJAS. HÁ SAGUIS DE TODOS OS TAMANHOS, DE BEBÊS A ADULTOS, E ESTÃO SEMPRE TODOS JUNTOS.
ORIENTAMOS AS CRIANÇAS A SE SENTAREM PERTO DA HORTA E FAZEREM SILÊNCIO QUANDO ELES CHEGAM E LÁ ELAS PERMANECEM POR UM TEMPÃO OBSERVANDO OS SAGUIS COMEREM COM SUAS MÃOZINHAS, PULAREM DE GALHO EM GALHO, BRIGAREM PELAS BANANAS...
CERTAMENTE UMA OPORTUNIDADE ÍMPAR DE TRABALHARMOS COM AS CRIANÇAS CONCEITOS COMO MEIO AMBIENTE, ANIMAIS DOMÉSTICOS E SELVAGENS, CUIDADOS COM A NATUREZA, HÁBITOS SOCIAIS E ALIMENTARES DOS BICHINHOS, PORQUÊ NÃO PODEMOS TOCÁ-LOS OU CHEGAR MUITO PERTO, ETC.
POR ORIENTAÇÃO DO VETERINÁRIO, NÃO DEVEMOS ACOSTUMAR OS SAGUIS A CHEGAREM MUITO PERTO PARA QUE ESTES NÃO SE ACOSTUMEM TANTO COM O SER HUMANO, VISTO QUE OUTRAS PESSOAS PODEM NÃO SER TÃO GENTIS COM OS ANIMAIS COMO NÓS. TAMBÉM, SENDO ANIMAIS SELVAGENS, NÃO PODEMOS PREVER SEU COMPORTAMENTO. PORTANTO, CONTINUAREMOS A DEIXAR ALIMENTOS APENAS SOBRE O TELHADO, SEM INCENTIVÁ-LOS A SE APROXIMAR MAIS.
MAS, QUEREM SABER O FATO MAIS HILÁRIO DESSA HISTÓRIA TODA? ASSIM QUE OS BICHINHOS COMEÇAM A DAR SINAL DE SUA PRESENÇA, AINDA LONGE, A RENATA COMEÇOU A IMITAR SEU ASSOBIO E INSTANTANEAMENTE, OS SAGUIS COMEÇARAM A VIR DIRETAMENTE PARA A ESCOLA!
ALGUMAS VEZES NEM TEMOS BANANAS PARA ALIMENTÁ-LOS, MAS AINDA ASSIM ELES DÃO SEU SHOW FAZENDO SUAS ACROBACIAS E ENCANTANDO A TODOS, CRIANÇAS E ADULTOS.
PROFESSORA JANYSSA
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03/07/2009 - PROJETO TEAR |
Olá, Famílias.
Nesta sexta-feira fria minha proposta de leitura é "aconchegante e quentinha":
trata-se do Registro da produção de um cachecol num tear pelas nossas crianças aqui na escola em junho.
Leiam e depois entrem no site para ver as respectivas fotos.
Boas Férias!
Abraço,
Regina Pundek
[linha]
PROJETO TEAR
O “projeto tear” começou com a chegada de um tear de pregos trazido pela Renata. Assumi então a produção de um cachecol e resolvi trabalhar na frente das crianças para aguçar sua curiosidade. Aos poucos elas se aproximavam e questionavam que objeto esquisito era aquele.
Conforme eu lhes explicava, oferecia o tear para que me ajudassem. Tanto de manhã, quanto de tarde, as crianças participaram, a sua maneira, de diferentes etapas do processo. Os menores empurravam o ponto para baixo e puxavam a lã. Já os maiores, além desta etapa, cruzavam os pontos com a agulha.
Foi fascinante vê-los empenhados em fazer o cachecol. Ansiosos para verem o produto pronto, me cobravam para que eu pegasse o tear a todo momento. Portanto, onde quer que eu fosse, um pequeno grupo multiage se formava a minha volta. O que rendeu deliciosos momentos, pois trabalhávamos à vontade, em diversos lugares, como: Baby Space, Platôs, gramado, biblioteca...
Após uma semana, o grande dia finalmente chegou, o cachecol ficou pronto. Porém, outra questão surgiu: o que fazer com ele já que tantas crianças ajudaram a produzi-lo?
Foi então que a Regina deu a idéia de fazermos um sorteio entre os participantes. Nada mais justo, certo?
As crianças adoraram a sugestão! Colocaram seus nomes numa urna (cesta) e torceram bastante. Como o cachecol é rosa, os meninos diziam que dariam de presente para sua mãe, pois “homem não usa rosa, né?”, como ouvi de alguns.
Após tanta agitação, finalmente chegou o momento do sorteio, foi uma folia só. Esse foi realizado de tarde e, quando o Shalom, acompanhante do Pedro Paulo, retirou o papelzinho da cesta, fiz um suspense gigantesco. Todos ficaram atentos para ouvir o nome do grande ganhador: o Gustavo Benedik, do blue group da manhã.
Na manhã seguinte, enquanto as crianças estavam no platô, a Cátia anunciou o ganhador pelo microfone. O Gu pulou de alegria e gritou: “sou eu!”. E, com muito orgulho, disse na hora: “vou dar pra minha mamãe”.
Com estímulos tão prazerosos, aprimoramos a coordenação motora fina, com o movimento pinça e a preensão, trabalhamos a seqüência lógica, noção espacial, divisão de material, convívio social, concentração, tempo de espera, controle da ansiedade, frustração...
E, que bacana foi presenciar a cooperação que surgiu deste trabalho, pois, tanto os pequenos quanto os grande, ajudavam-se a todo momento.
Agora, no semestre que vem, daremos seqüência ao trabalho, o que gerará novas oportunidades a todos. As crianças já estão me cobrando, desde já, o uso do tear. Que tal abrir uma lojinha com os trabalhos dos nossos artistas?
Lilly Scott
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12/06/2009 - DO MUNDO VIRTUAL AO MUNDO ESPIRITUAL |
Olá, Famílias!
Hoje nossa Reflexão é um texto do Frei Beto que recebi da Poliana, mãe da Laís, Yellow Afternoon Group. A ela envio meu OBRIGADA!
Nesse momento tão ímpar de minha vida, em que acabo de me tornar AVÓ, sei que preciso aperfeiçoar minhas ações, tornar-me uma pessoa melhor, ser modelo...
E, este texto cutucou! Principalmente a última frase, que é de Sócrates.
Aqui vai meu incentivo para que todos leiam e que juntos consigamos ver o mundo com bons olhos, acreditar que somos capazes, e praticar o amor.
Bom final de Semana!
Regina Pundek
[linha]
DO MUNDO VIRTUAL AO MUNDO ESPIRITUAL
Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos em paz em seus mantos cor de açafrão. Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir: ‘Qual dos dois modelos produz felicidade?’
Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: ‘Não foi à aula?’ Ela respondeu: ‘Não, tenho aula à tarde’. Comemorei: ‘Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde’. ‘Não’, retrucou ela, ‘tenho tanta coisa de manhã…’ ‘Que tanta coisa?’, perguntei. ‘Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina’, e começou a elencar seu programa de garota robotizada. Fiquei pensando: ‘Que pena, a Daniela não disse: ‘Tenho aula de meditação!’
Estamos construindo super-homens e supermulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados. Por isso as empresas consideram agora que, mais importante que o QI, é a IE, a Inteligência Emocional. Não adianta ser um superexecutivo se não se consegue se relacionar com as pessoas. Ora, como seria importante os currículos escolares incluírem aulas de meditação!
Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: ‘Como estava o defunto?’. ‘Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!’ Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?
Outrora, falava-se em realidade: análise da realidade, inserir-se na realidade, conhecer a realidade. Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Pode-se fazer sexo virtual pela internet: não se pega aids, não há envolvimento emocional, controla-se no mouse. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizinho de prédio ou de quadra! Tudo é virtual, entramos na virtualidade de todos os valores, não há compromisso com o real! É muito grave esse processo de abstração da linguagem, de sentimentos: somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. Enquanto isso, a realidade vai por outro lado, pois somos também eticamente virtuais…
A cultura começa onde a natureza termina. Cultura é o refinamento do espírito. Televisão, no Brasil – com raras e honrosas exceções -, é um problema: a cada semana que passa, temos a sensação de que ficamos um pouco menos cultos.
A palavra hoje é ‘entretenimento’ ; domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela. Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: ‘Se tomar este refrigerante, vestir este tênis, usar esta camisa, comprar este carro, você chega lá!’ O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.
Os psicanalistas tentam descobrir o que fazer com o desejo dos seus pacientes. Colocá-los onde? Eu, que não sou da área, posso me dar o direito de apresentar uma sugestão. Acho que só há uma saída: virar o desejo para dentro. Porque, para fora, ele não tem aonde ir! O grande desafio é virar o desejo para dentro, gostar de si mesmo, começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são indispensáveis: amizades, auto-estima, ausência de estresse.
Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Se alguém vai à Europa e visita uma pequena cidade onde há uma catedral, deve procurar saber a história daquela cidade – a catedral é o sinal de que ela tem história. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping center. É curioso: a maioria dos shopping centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingos. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas…
Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno… Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do McDonald’s…
Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: ‘Estou apenas fazendo um passeio socrático.’ Diante de seus olhares espantados, explico: ‘Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia: ‘Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz.’
Frei Betto é escritor, autor, em parceria com Luis Fernando Veríssimo e outros, de ‘O desafio ético’ (Garamond), entre outros livros.
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15/05/2009 - UMA ELEIÇÃO DE VERDADE |
Olá, Família!
O texto que lhes envio hoje é o relato de uma atividade realizada aqui na escola, com seus filhos, escrito a muitas mãos (Renata, Lilly, Janyssa, Aline, Regina e Cátia)
Pode não parecer à primeira leitura, mas é sim uma proposta de reflexão, afinal democracia é assunto sempre motivante embora nem sempre gerador de ação.
Ah, entrem no site da escola e vejam as fotos da atividade em questão.
Um bom final de semana a todos.
Regina Pundek
[linha]
UMA ELEIÇÃO DE VERDADE
Nesta semana tivemos um evento muito legal e especial na escola, que permitiu que trabalhássemos com muita intensidade e verdadeiramente na prática a questão Direitos Humanos e Direitos das Crianças: A eleição para escolher os nomes das nossas novas ovelhas.
Tudo começou quando as ovelhas “antigas”, NIGHT and DAY, receberam o convite para morar num sítio. Elas já estavam conosco há sete anos, foi difícil decidir, porém chegamos à conclusão de que elas mereciam ter mais tranqüilidade na “terceira idade”... hehehe. A despedida foi um tanto melancólica, tanto para nós quanto para elas.
Depois decidimos trazer ovelhas bebês, novamente duas fêmeas e o GREEN GROUP, “grupo letrado”, recebeu a tarefa de organizar a votação. Isso porque a Regina e a Paty sugeriram nomes diferentes. A Regina sugeriu POLI e GLOTA e a Paty deu a idéia de que fossem HIPO e GLOSS. O assunto começou a esquentar, as crianças se envolveram... a Giovanna Rios trouxe mais uma sugestão: MARY e LOU.
O Luiz tomou a frente e de prancheta na mão circulava realizando uma pesquisa “eleitoral”. Até o pessoal do administrativo e da manutenção entrou na brincadeira. Então as professoras decidiram levar a sério o assunto e organizaram uma eleição a altura das emoções vigentes. Prepararam cédulas, uma caixa transformou-se em urna e determinaram quarta-feira como o dia D.
Havia grupos de professoras liderando e fazendo campanha, levantando bandeiras, distribuindo santinhos, tentando arrebanhar votos para seus “candidatos”. A Lilly, a Karina, a Sueli e a Ana Cleuma puxavam o carro de POLI e GLOTA. A Renata, a Bianca, a Cátia, a Janyssa, a Glaucia e a Regina que trocou de partido na última hora, juntamente com seus agregados torciam barulhentamente por MARY E LOU. Por fim, a Carolina, a Paty e a Aline com seu público estavam torcendo para que o nome fosse HIPO e GLOSS.
Entre gritos, batuques e risadas as torcidas vibravam alto os nomes de sua predileção. E, de repente, no meio de tudo, uma voz se destacava: “SANNNNNTOOOOOS!!! SANTOOOOOSSS!!!!” - vibrava o Luiz de punhos fechados e braços para o ar. Uma graça!
Finalmente começou a votação. A Lilly era a mesária, muito séria explicava para cada eleitor como lidar com a cédula, onde assinalar seu voto. As crianças ficaram sentadinhas em linha esperando a vez de dirigir-se à urna. Alguns apreensivos, querendo muito que seu candidato vencesse, outros rindo a valer das professoras em campanha, mas até os menorzinhos fizeram questão de manifestar sua opinião, às vezes escolhiam entre as opções da cédula, noutras respondiam que queriam o nome da mamãe, ou o dos seus personagens favoritos.
Após muita torcida e algazarra, decidimos acompanhar a apuração dos votos junto com as crianças. Todos se sentaram no platô para, então, torcer pelos nomes de sua preferência. Que momento bacana! A cada voto contado vibravam animados e empolgados, gritando seus nomes favoritos, carregando placas feitas com sucata e desenhos de ovelhas.
E a apuração ficou assim: em terceiro lugar ficou para trás HIPO e GLOSS; em segundo para ansiedade de todos, tivemos MARY e LOU e em primeiro POLI e GLOTA !!!!
A atividade como um todo, só comprova, mais uma vez, que qualquer tema por mais complexo que seja pode ser trabalhado com crianças, já que seu potencial é imenso. Além disso, elas têm todo DIREITO de participar em decisões que envolvem a escola.
Em uma lição de Cidadania e Direitos Humanos, crianças ainda tão pequenas puderam vivenciar a democracia de forma lúdica e prazerosa. Acreditamos também que por meio de atividades como esta estamos formando seres humanos que sabem perder e ganhar, mais críticos e éticos e que certamente contribuirão para que nossa sociedade seja mais justa e digna.
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08/05/2009 - A LATINHA DE LEITE |
Olá, Família!
Fiquei um bom tempo procurando um texto para hoje: ante véspera do Dia das Mães. Encontrei muitas homenagens lindas, daquelas de marejar os olhos...
mas,
tudo me parecia "re" leitura. Eu queria algo novo, algo que fizesse sentir amor, mais amor, não somente por nossos próprios filhos, mas também pelos outros filhos de outras mães. Acredito que encontrei algo perfeito. Leiam: A Latinha de Leite.
Queridas mães, vocês sabem, como é ter no coração essa eterna ferida de amor, essa constante preocupação, esse sentimento visceral que nos persegue quer estejamos longe ou perto de nossas crias. É um amor sem tamanho!!!
Desejo que este final semana transcorra repleto de atitudes generosamente amorosas.
Meu carinho,
Regina Pundek
[LINHA]
A Latinha de Leite
(Autor desconhecido)
Um fato real. Dois irmãozinhos maltrapilhos, provenientes da favela, um
deles de cinco anos e o outro de dez, iam pedindo um pouco de comida pelas
casas da rua que beira o morro. Estavam famintos "vai trabalhar e não
amole", ouvia-se detrás da porta; "aqui não há nada moleque...", dizia
outro...
As múltiplas tentativas frustradas entristeciam as crianças... Por fim, uma
senhora muito atenta disse-lhes "Vou ver se tenho alguma coisa para vocês...
coitadinhos!" E voltou com uma latinha de leite.
Que festa! Ambos se sentaram na calçada. O menorzinho disse para o de dez
anos "você é mais velho, tome primeiro..." e olhava para ele com seus dentes
brancos, a boca semi-aberta, mexendo a ponta da língua.
Eu, como um tolo, contemplava a cena... Se vocês vissem o mais velho olhando
de lado para o pequenino! Leva a lata à boca e, fazendo gesto de beber,
aperta fortemente os lábios para que por eles não penetre uma só gota de
leite. Depois, estendendo a lata, diz ao irmão "Agora é sua vez. Só um
pouco." E o irmãozinho, dando um grande gole exclama "como está gostoso!"
"Agora eu", diz o mais velho. E levando a latinha, já meio vazia, à boca,
não bebe nada. "Agora você", "Agora eu", "Agora você", "Agora eu"..
E, depois de três, quatro, cinco ou seis goles, o menorzinho, de cabelo
encaracolado, barrigudinho, com a camisa de fora, esgota o leite todo...ele
sozinho.
Esse "agora você", "agora eu" encheram-me os olhos de lágrimas...
E então, aconteceu algo que me pareceu extraordinário. O mais velho começou
a cantar, a sambar, a jogar futebol com a lata de leite. Estava radiante, o
estômago vazio, mas o coração trasbordante de alegria. Pulava com a
naturalidade de quem não fez nada de extraordinário, ou melhor, com a
naturalidade de quem está habituado a fazer coisas extraordinárias sem
dar-lhes maior importância.
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30/04/2009 - O CARRINHO |
Olá, Famílias!
Aí vai outro texto do Rubem Alves - educador, poeta, escritor, filósofo.
Certamente alguém que é orgulho nacional!
Não deixem de ler!
Desejo que tenham um final de semana cheio de pensamentos e atitudes criativas!
abraço,
Regina Pundek
[linha]
O carrinho
A riqueza não faz bem ao pensamento; mas a pobreza faz sonhar e inventar.
Ganhei um carrinho de presente. Coloquei-o sobre minha mesa de trabalho. Olho para ele quando escrevo e escrevo os pensamentos que ele me faz pensar. Não são todos os objetos que têm esse poder de fazer pensar. A caneta, o grampeador, a lâmpada, a cadeira, objetos à minha volta: eu os uso automaticamente; eles não me fazem pensar. Mas o carrinho é diferente. Meu pensamento começa a voar. O que eu vejo nele não é nada comparado àquilo que ele me faz imaginar. Sonho.
Uma lata de sardinha. A tampa foi dobrada inteligentemente, e assim se produziu a capota. As rodas foram feitas de uma sandália havaiana velha. Os eixos, dois galhinhos de arbusto. E ei-lo pronto! Fosse um carrinho comprado em loja, e eu nada pensaria. Mas basta olhar para o carrinho para eu ver o menino que o fez, menino que nunca vi, menino que sempre morou em mim.
Sei que o menino é pobre. Se fosse rico teria pedido ao pai, que lhe teria comprado um brinquedo importado. Dinheiro é um objeto que só dá pensamentos de comprar. A riqueza, com freqüência, não faz bem ao pensamento. Mas a pobreza faz sonhar e inventar. Carrinho de pobre tem de ser parido. A professora - se é que ele vai à escola - deve ter notado que ele estava distraído, ausente, olhando o vazio fora da janela. Falou alto para chamar sua atenção. Ela não percebeu que distração é atração por um outro mundo.
Penso que o menino devia andar lá pela favela, olhos atentos, procurando algo, sem saber direito o quê. Até que deram com a lata de sardinha jogada no lixo. Foi um momento de iluminação. A lata de sardinha virou uma outra coisa. Ele disse: "Essa lata de sardinha é o meu carro..." O menino dobrou a tampa e se sentou ao volante.
Faltavam as rodas. Se tivesse uma serra tico-tico poderia fazer rodinhas de um pedaço de compensado abandonado. Mas é certo que tal ferramenta ele não tinha. Pois se tivesse, teria feito. Suas ferramentas: uma faca, subtraída da cozinha, um prego para fazer os buracos, e uma pedra, à guisa de martelo. O material deveria ser dócil às ferramentas que possuía. Seria fácil fazer rodas de papelão. Mas as rodas se desfariam, depois de passar pela primeira poça de água. Seus olhos e pensamento procuram. E aquilo que calçara pés se transformou em calçado de automóvel. Quatro buracos na lata de sardinha, dois galhinhos de árvores e ei-lo pronto: o carrinho! O menino sabia pensar. Pensava bem, concentrado. É sempre assim. Quando o sonho é forte, o pensamento vem. O amor é o pai da inteligência.
O menino e o seu carrinho resumem tudo o que penso sobre a educação. As escolas: imensas oficinas, ferramentas de todos os tipos, capazes dos maiores milagres. Mas de nada valem para aqueles que não sabem sonhar. O nascimento do pensamento é igual ao nascimento de uma criança: tudo começa com um ato de amor. Uma semente há de ser depositada no ventre vazio. E a semente do pensamento é o sonho. Por isso os educadores, antes de serem especialistas em ferramentas do saber, deveriam ser especialistas em amor: intérpretes de sonhos.
O menininho sonhava. Como Deus, que do nada criou tudo, ele tomou o nada em suas mãos, e com ele fez o seu carrinho. Imagino que, também como Deus, ele deve ter sorrido de felicidade ao contemplar a obra de suas mãos...
Rubem Alves
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24/04/2009 - ATERRISAGEM DAS ALMAS NO PLANETA |
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Hoje quero voltar ao assunto TEMPO, este "ingrediente" tão discutido em nossas "receitas" de como viver.
Este texto propõe que tentemos enxergá-lo sob a perspectiva das crianças.
Um final de semana prolongadamente harmonioso a todos nós!
Abraço,
Regina Pundek
ah, lembrei de um pensamento lindo do Mário Quintana:
" O tempo é a insônia da eternidade!"
[linha]
ATERRISAGEM das ALMAS no PLANETA
Os adultos precisam compreender a ATERRISAGEM das ALMAS no PLANETA, ou seja, a necessidade de sermos nós, educadores (todo aquele que educa, pais, parentes, professores), facilitadores para que estas ALMINHAS encontrem PISTAS de aterrisagem.
Para as crianças, toda informação é nova, em todo lugar há algo novo para ver, ouvir, degustar, sentir ... Eles ainda têm poucos registros na memória, por isso, para eles tudo é tão INTENSO.
Crianças pequenas ainda não conhecem, pensar e agir presos a finalidades. Não é este seu modo de vida. A criança submerge completamente, ela é completamente atividade, inteiramente percepção, inteiramente fantasia, sentimento e presença.
Em relação ao tempo, sempre precisamos adaptar-nos à criança, pois ela é em nosso mundo, como um anjo que acabou de descer e só com esforço paulatinamente precisa encontrar o caminho para se tornar homem. Quem espantaria um anjo, ou o atrapalharia?
Crianças precisam permanecer em algo; elas vivem no aqui e no hoje, nunca condicionadas, como nós adultos: eu faço algo para alcançar isto ou aquilo.
As crianças não conhecem a nossa divisão dura de tempo. Sabemos quão difícil é fazer uma criança mudar de atividade, onde acabou de se aprofundar e se tornar criativa.
O trazer ou levar as crianças para a escola é um ponto crítico e muitas vezes é compreendido diferentemente pelas crianças e professora do que pelos pais. Os pais muitas vezes interpretam a possibilidade de levar a criança para a escola como prestação de serviços. Para a criança a escola não é algo determinado como serviço, porém um aprofundar-se no meio ambiente presente e vivo. Elas VIVEM a escola. Elas ainda vivem numa espécie de sonho e assim todo o decurso do dia (semana, mês, ano) deve se desenrolar de forma sonhadora, inconsciente, fora do tempo físico, num tempo transcendente. Isso requer que o educador proporcione este “fluido”, e até mesmo que viva numa outra consciência de tempo. Caso contrário essa criança sonhadora será constantemente arrancada do seu mundo. O resultado então pode ser desarmonioso, de constante crítica, geralmente de uma criança insatisfeita. Se esta situação se aguça, fala-se de crianças que necessitam terapia, que elas são insuportáveis e insustentáveis dentro do grupo.O adulto precisa se conter, tomar tempo, viver intensamente o presente. Este fato nos permite chegar novamente à transcendência do tempo, no qual nós como crianças vivíamos e tivemos que abandonar, para sentirmo-nos em casa, neste mundo.
Cristiane Von Königsöw
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17/04/2009 - PREÂMBULO AO VÔO DAS GAIVOTAS – DE JOSÉ PACHECO |
Queridas famílias,
Lá vai mais um texto para que reflitam ...
Este texto eu retirei do livro "Cartas à Alice" cujo autor, José Pacheco, é o fundador da Escola da Ponte, em Portugal - escola pública, de ensino fundamental e médio, sem paredes, aberta, onde as crianças e adolescentes decidem o que querem estudar ... escola modelo, centro de estudos para educadores de todos os cantos.
Sobre a escola o nosso Rubem Alves escreveu o famoso livro: "A Escola com que sempre sonhei, sem nunca pensar que pudesse existir"(rica leitura).
Cartas à Alice é um livro lindo, que o Zé escreveu para sua neta Alice, quando ela era ainda bebê. São cartas imaginárias nas quais o avô relata a escola ideal, que ele sonha pra ela.
Desejo que usufruam da leitura e que aproveitem o feriado prolongado!
abraço,
Regina
[linha]
Preâmbulo ao vôo das gaivotas - de José Pacheco – Escola da Ponte, Portugal.
Algures, em 31 de Agosto de 2007.
Querida Alice,
O prometido é devido: a escassos dias de conheceres o mundo novo da escola que será a do teu tempo, o teu avô vem contar-te histórias da escola que foi a de velhos mundos de outros tempos.
A idéia de Escola é muito antiga. Já na Grécia de há milhares de anos havia quem acreditasse serem os seres humanos capazes de buscarem, em si próprios e entre os outros seres, a perfeição possível. Mas, com a passagem do tempo, essa Escola deixou de fazer sentido, porque deixou de se perguntar se faria sentido ficar parada, a ver passar o tempo. E, assim como um senhor chamado António Vieira pregava aos peixes, por serem os humanos incapazes de ouvir, nesse tempo, o teu avô enviava recados às aves, porque muitos professores já não sabiam ouvir. Mas passemos à história que hoje tenho para te contar...
Era uma vez, um reino encantado e junto ao mar. Encantado, porque uma fada má transformara todos os seus habitantes em pássaros. Junto ao mar, porque convém ao enredo da história.
No reino encantado, havia cidades e, para além dos muros das cidades, outras cidades e outras escolas. Estas escolas de aprender a voar eram quase todas iguais entre si. E iguais a essas eram outras escolas dentro das cidades das aves.
As avezinhas aprendizes eram todas diferentes umas das outras. Havia o rouxinol e o seu maravilhoso trinado; havia a calhandrinha e o seu canto monótono. Ia à escola o melro saltitante e o beija-flor de vôo gracioso. Mas o manual de canto era igual para todos, o manual de vôo era igual para todos. Ensinava-se o piar discreto e em coro. Praticava-se o vôo curto, de ramo para ramo.
Havia o manual para as aulas de piação. Nas aulas dadas pelo manual, os papagaios treinavam os seus pupilos no decorar melopeias sem sentido. Todos ao mesmo tempo, no mesmo ramo, na cadência imposta pela batuta do papagaio instrutor.
Havia o manual (igual para todos) utilizado pela coruja para o ensino do cálculo da velocidade e da direcção de voos jamais materializados. Os voos lidos no manual eram, obrigatoriamente, muito curtos e obedeciam a critérios de que as jovens aves ignoravam o fundamento. Por sua vez, o galo ensinava o bater de asas de voos simulados, e impunha aos jovens pássaros a repetição do teórico cócórócar que os faria conformar-se com o destino de habitar gaiolas e acatar as hierarquias das bicadas.
Copiava-se pelo manual de História a História oficial. Outro manual orientava o milhafre que, nas aulas de sobrevivência, ditava a quantidade de milho, farelo, ou couve picada, da ração diária a dar à criação.
Periodicamente, os mochos submetiam o receoso bando de aprendizes ao estranho cerimonial dos testes. As provas eram iguais para todos, num tempo igual para todos, com todos os pássaros aprendizes fechados no mesmo espaço. Se o teste fosse de voo planado, ainda que, lá fora, soprasse um vento propício ao looping, do lugar não saíam. E pouco importava que as asas do albatroz fossem dez vezes maiores que as do estorninho. Às aves mais lestas eram cortadas as asas, para que acompanhassem o ritmo do mocho. E as avezinhas que não conseguissem bater as asas ao compasso das restantes ficavam, irremediavelmente, para trás. Depois de identificadas as aves deficientes, encaminhavam-nas para o cativeiro dos voos alternativos, ou submetiam-nas a aulas de recuperação ministradas por corvos especialistas em voo rasante.
Encerrados nas gaiolas douradas da instrução, os jovens pássaros definhavam na repetição de rotinas. Se a calma reinante era perturbada por um grito, ou pela súbita mutação da graciosidade do voo num violento choque de asas, tudo voltava ao normal e sem demora... O método era a domesticação. Mas, se perguntássemos aos adestradores porque domesticavam, não saberiam que resposta dar.
As personagens centrais da nossa história serão as gaivotas. Para dizer a verdade, apenas um pequeno bando de gaivotas dissidentes. Um dia, decidiram abalar dos rochedos junto ao mar e ir à aventura terra adentro.
Aves inquietas e curiosas, arriscavam descer ao fundo de cavernas que tinham servido de refúgio a piratas. Num dos mais profundos recantos de uma das mais profundas cavernas, encontraram um cofre. Dentro do cofre, velhos pergaminhos. Leram-nos. E o súbito achado despertou o desejo de partir.
Num dos dias do seu longo peregrinar, as gaivotas chegaram a uma terra entre dois rios. Era um lugar onde as águas, que deveriam saciar a sede a todas as aves e refrescar as penas nas tórridas tardes de Estio, corriam turvas e em proveito de alguns passarões.
Dessa aventura te falarei na próxima carta.
Com amor,
O teu avô José.
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09/04/09 - VOVÓ RUBY |
Olá!
Hoje a minha Reflexão tem gostinho de chocolate e mel, e vai recheada de desejos de "renovação e renascimento interior".
Trata-se de uma pequena e singela história de uma avó admirável.
Esta foi uma leitura para mim obrigatória, ando pesquisando o assunto visto que agora preciso aprender a ser avó.
Feliz Páscoa a todos!
Com Carinho,
Regina Pundek
[linha]
Vovó Ruby
Lynn Robertson
Sendo mãe de dois meninos muito ativos, de um e sete anos de idade, às vezes
me preocupo que eles transformem minha casa cuidadosamente decorada em seu
canteiro de demolição. Em meio a sua inocência e às suas brincadeiras, de
vez em quando derrubam meu abajur favorito ou desarrumam meus arranjos bem
planejados. Nesses momentos, quando nada parece sagrado, lembro-me da lição
que aprendi com minha sábia sogra, Ruby.
Ruby é mãe de seis e avó de treze. É a encarnação da gentileza, da paciência
e do amor.
Num Natal, todos os filhos e netos estavam reunidos, como de costume, na
casa de Ruby. Apenas um mês antes Ruby havia comprado um lindo carpete
branco, depois de viver com o mesmo carpete durante vinte e cinco anos.
Ficara felicíssima com o jeito novo que ele dava à casa.
Meu cunhado, Arnie, tinha acabado de distribuir seus presentes entre todas
as sobrinhas e sobrinhos - mel natural premiado de seu apiário. Eles estavam
super animados. Mas quis o destino que a pequena Sheena de oito anos de
idade derramasse seu pote de mel no carpete novo da vovó fazendo uma trilha,
escada abaixo, por toda a casa.
Chorando, Sheena correu para a cozinha e para os braços da Vovó Ruby.
- Vovó, eu derramei todo o meu mel em cima do seu carpete novo.
Vovó Ruby ajoelhou-se, olhou carinhosamente nos olhos chorosos de Sheena e
disse:
- Não se preocupe, querida, podemos lhe arrumar mais mel.
Livro: Histórias para Aquecer o Coração 2
Autor: Jack Canfield e Mark Victor Hansen
Editora: Sextante |
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